Cerâmica Caldense

Dotado de fama artística a nível internacional, o principal artesanato das Caldas da Rainha é constituído por peças de cerâmica cuja produção remonta ao século XV.
Em 1485, a fundação do Hospital Termal impulsiona a faiança das Caldas da Rainha sendo comum, até ao século XVIII, o fabrico de louça utilitária.
De 1790 até 1820, Maria dos Cacos torna a cerâmica caldense célebre mas foi com Rafael Bordalo Pinheiro que esta adquiriu maior prestígio artístico e comercial. As suas obras são caracterizadas pela policromia dos vidrados e pela temática de cariz popular onde sobressai a veia caricaturista que celebrizou o Zé Povinho.

Criado em 1875 por Rafael Bordalo Pinheiro, o Zé Povinho surge, pela primeira vez, no jornal de crítica diário "A Lanterna Mágica" e torna-se célebre nas páginas de "A Paródia". Representa o povo ou o país como vítima das instituições e identifica-se com o próprio criador, com quem envelhece, "sempre à espera, sempre à espera".
É o retrato do povo rústico, teimoso e ingénuo.
Indissociável do seu manguito, o Zé Povinho é uma reconhecida figura nacional de valor simbólico.
O enorme sucesso do Zé Povinho levou Bordalo a recriar a figura símbolo do povo português no barro, ao lado da inseparável Maria da Paciência, velha alcoviteira de Lisboa.

A obra de Bordalo foi continuada pelo seu filho, Manuel Gustavo, que assumiu a responsabilidade da Fábrica de Faianças Bordalo Pinheiro. Ainda hoje a cidade de Caldas da Rainha é conhecida pela sua louça onde se destacam as figuras de movimento como o Zé Povinho e a Ama, os azulejos em relevo, e os conjuntos inspirados em folhas de repolho.


Zé Povinho e a Ama

Prato em cerâmica


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Louça das Caldas"

Este é talvez um dos cartões de visita das caldas mais famosos e simultaneamente mais caricatos. De cariz popular, caracteriza-se por louça de barro, em motivos fálicos, de todos os tamanhos, usos e feitios.Pode ser encontrada em várias lojas espalhadas pela cidade, bem como no mercado semanal de sábado.
Infelizmente, este tipo de artesanato está com uma extrema falta de novos aprendizes, e encontra-se em vias de desaparecimento.

 

Bordados

Pensa-se que os bordados das Caldas têm origem nos panos trazidos da Índia no início do século XVI. Também conhecidos por Bordados de D. Leonor, provavelmente terão sido criados pela própria rainha e pelas damas da Corte que a acompanhavam nos banhos das termas.
Produzidos sobre pano de linho grosso, estes bordados apresentam motivos de espirais, aranhiços e corações, sendo o azul, castanho, mel ou canela, as cores predominantes.

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